Quanto vale o seu carbono?

(08/04/2021)

Prezados clientes e colaboradores:

Sustentabilidade, mudanças climáticas e biodiversidade são palavrões cada vez mais presentes na rotina do cidadão do mundo e há quem afirme (ainda sem provas!) que a intervenção humana em cada um dos cenários representados por estas palavras possa ter influenciado significativamente no atual momento de pandemia.

Teorias da conspiração à parte, o que pode ser afirmado é que, sem dúvida, as próximas gerações devem olhar para tais palavrões como muito mais cuidado. A tendência é que os novos consumidores exijam cada vez mais efetividade para tais conceitos.

Em linhas gerais, com a maior floresta tropical do mundo e uma matriz energética majoritariamente limpa, o Brasil tem todas as ferramentas para se tornar o grande favorito para quem investe ou pretende investir nesta nova modalidade de mercado – ambientalmente sustentável.

E, para conhecer um pouco mais deste novo cenário, é imprescindível uma pequena digressão ao famoso Protocolo de Quioto, que foi um importante acordo internacional que definiu as grandes metas de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.

Como nem todos ficaram felizes com os resultados de Quioto, foi assinado em 2015, o Acordo de Paris, em que todos os mais de 190 países signatários têm metas de redução de emissões.

Com a assinatura deste novo acordo, ganhou corpo um novo mercado, lastreado no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL ou CDM, na sigla em inglês).

Com este mecanismo, a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa passaram a ter valor econômico, utilizando de uma premissa muito simples, medindo-se a diferença entre a quantidade de carbono que deixou de ser emitida em razão das substituições das ações poluentes.

O resultado dessa operação simples deságua em dois mercados de carbono, os chamados regulados, em que governos determinam esquemas fechados envolvendo setores específicos e nos quais existe uma taxação do carbono, ou seja, o governo determina o preço a ser pago por tonelada de carbono emitida, e os mercados voluntários, nos quais as empresas compensam a emissão de Co2, basicamente, por uma questão reputacional.

No Brasil, infelizmente, há anos discute-se uma proposta de regulação para o mercado de carbono, mas o avanço foi quase inexistente. Para se ter uma ideia, desde 2017, o Banco Mundial, por meio do programa Partnership for Market Readiness (PMR), patrocina um programa junto ao Ministério da Economia para se estudar a precificação de gases de efeito estufa no Brasil, mas o resultado foi apenas um relatório com a indicação das principais propostas analisadas.

Portanto, no cenário nacional, as negociações desses créditos ainda compõem um futuro distante, mas grandes empresas já começam a calcular o “preço” da emissão de seu Co2 e buscam o reconhecimento e validação de suas práticas ambientalmente sustentáveis.

Essas empresas têm como objetivo sair na frente de uma tendência irreversível: a taxação sobre as emissões. Em paralelo, querem se preparar para o mercado global; a expectativa é o rendimento de bilhões no sistema global, e o Brasil, como dito acima, é forte candidato para sair ganhando com a redução da poluição.

O mercado de carbono é algo relativamente novo e as regras nacionais ou internacionais ainda estão em fase de maturação, ou seja, não participar do debate, pode significar ficar a reboque e se tornar um mero coadjuvante, o que não é algo recomendado, quer para empresas ou para governos.

A boa notícia é que as empresas podem se preparar desde já para investimentos em implantação de projetos próprios de sustentabilidade e, posterior, aprovação para participação no mercado de créditos.

O grande ponto de atenção é que, juridicamente e por completo desconhecimento das empresas no assunto, qualquer operação neste mercado pode gerar muitos riscos, ou seja, diante das inúmeras particularidades deste novo mercado, é imprescindível uma ampla detalhada análise do caminho a ser trilhado na busca pela redução das emissões de Co2.

Nossa equipe, como sempre, está à disposição para auxiliar nas repercussões desse tema

Leonardo Boaventura
Filipe Souza
Ywannes Almeida

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