Você sabe como deixar seu patrimônio digital em ordem?
Prezados clientes e colaboradores:
Hoje, uma parte importante do seu patrimônio já não está mais na gaveta ou no cofre, mas espalhada em ambientes digitais como redes sociais, aplicativos com saldo, carteiras de criptomoedas, arquivos em nuvem, programas de milhas e até perfis usados para trabalho ou negócios. Assim como sua história pessoal, também está nesses espaços: fotos de família, conversas, e-mails e registros de momentos importantes.
A pergunta que surge é simples: se algo acontecer com você, quem terá acesso a tudo isso e o que poderá ser feito com esses bens e memórias?
Como o Código Civil vigente não trata sobre este tema, o Superior Tribunal de Justiça recentemente criou a figura do “inventariante digital” para acessar dispositivos, localizar bens protegidos por senha e distinguir o que é transmissível ou não.
Para evitar a continuidade dessa lacuna, o Projeto de Lei 4/2025, que propõe uma ampla reforma do Código Civil, seguiu a mesma linha e definiu o que seria o “patrimônio digital”, permitindo que perfis, senhas, criptomoedas e arquivos sejam descritos em testamento com mais segurança.
Isso significa que você pode – e deve – tratar do seu patrimônio digital no testamento, indicando, de forma exemplificativa:
⏩ os principais ativos digitais de valor econômico (como criptomoedas, perfis monetizados, créditos e milhas), além de apontar quem deve recebê-los e orientar como eles devem ser administrados, reduzindo o risco de perda por falta de acesso ou de conhecimento dos herdeiros;
⏩ as instruções sobre quais perfis de redes sociais devem ser apagados ou transformados em um memorial e o que você não deseja que seja exposto no futuro;
⏩ um cofre físico ou digital que conterá as senhas das suas contas e quem poderá acessá-las; e
⏩ se os seus sucessores poderão solicitar a desindexação de conteúdos abusivos em buscas na internet.
Na prática, isso evita que valores em carteiras digitais, milhas, créditos em aplicativos ou até perfis profissionais se percam simplesmente porque ninguém sabia que existiam ou não tinha a senha
Tudo isso mostra que a gestão do patrimônio digital deixou de ser um tema futurista para se tornar uma necessidade real para quem lida com ativos e reputação online.
Um testamento bem estruturado e orientações claras sobre perfis, senhas e criptomoedas, evita conflitos entre herdeiros, reduz o risco de perda de valores e dá tranquilidade para você saber que seu legado – financeiro e digital – será respeitado.
Seguimos por aqui Decifrando a Reforma do Código Civil, toda semana destrinchando um ponto da proposta para você entender o que pode mudar no seu dia a dia.